Para quem se atreveu a ficar até às 5 da manhã esta madrugada para ver em directo toda a emissão dos Oscars certamente que não terá ido para a cama muito desiludido com o que viu durante quatro horas.
Foi uma cerimónia, como diziam os comentadores (opinião com a qual concordo), mais dinâmica, mais divertida e, apesar de ter durado 3h30, até menos exaustiva do que se poderia prever. A forma como agruparam muitas dos prémios (os técnicos, os de música, os de escrita, por exemplo) permitiu ganhar alguns minutos para depois poderem ser aproveitados noutros momentos. As mini-cerimónias feitas aquando da apresentação dos nomeados para melhor actriz e actor secundário bem como actriz e actor principal são apenas um exemplo desse aproveitamento e de um novo espírito dinâmico que a organização tentou dar este ano.
Mas vamos por partes. Hugh Jackman estreou-se como anfitrião este ano e, penso eu, comportou-se lindamente. Numa tentativa de reduzir custos ou apenas de fazer algo original, a cerimónia de abertura contou com um Jackman a mostrar os seus dotes como cantor (bastante bons até) numa medley que, como é habitual, introduziu os vários nomeados para melhor filme do ano. A subida “inesperada” (inesperada para o público, claro) ao palco de Anne Hathaway para fazer um mini-duet com o Hugh foi divertido e apenas uma parte de uma divertida cerimónia de abertura.

O habitual “secante” discurso do Presidente da Academia foi substituido este ano por mais um momento de entretenimento: um musical à imagem do Hugh Jackman, como ele o introduziu. Contou com a presença da Beyoncé bem como o par do High School Musical (Zac Efron e Vanessa Hudgens) e do Mamma Mia (Amanda Seyfried e Dominic Cooper). Estes presentearam o público com um mini-musical onde cantaram e dançaram a um medley que contou com músicas de vários musicais, medley esse criado pelo Baz Luhrmann. Aliás, o recordar dos “momentos altos” em várias categorias (comédia, romance, etc.) através de pequenas montagens foi outra das novidades.
Portanto, este foi um pequeno grande resumo do que foi a cerimónia. Em termos de vencedores…
Slumdog Millionaire destronou o The Curious Case of Benjamin Button que entrou com uma dúzia mais uma nomeações. O Slumdog levou para casa 8 das 10 nomeações que teve o que é uma marca notável. Entre as 8 estatuetas vencidas, as duas mais importantes: melhor filme e melhor realizador, pela mão de Danny Boyle.

Em termos de representação, Sean Penn ganhou a melhor interpretação masculina, prémio esse que é inteiramente merecido. Do lado das mulheres foi a Kate Winslet que venceu e, apesar de não ter visto as prestações das restantes nomeadas, parece-me que esta interpretação da Kate é mais do que merecedora.
Em termos de actor e actriz secundária, a Penélope Cruz ganhou pela sua interpretação em Vicky Cristina Barcelona enquanto que o já falecido Heath Ledger venceu o prémio para melhor actor secundário pelo seu trabalho em The Dark Knight.
Nota para o facto de todos os 4 discursos dos vencedores referidos terem sido bastante emotivos. Penélope com palavras para a sua terra natal; Kate fez uma homenagem especial à Meryl, o Sean Penn com um discurso emotivo e igualmente político, fazendo valer o papel que interpretou em Milk; e a família do Heath Ledger a receber o Oscar em nome da filha de 3 anos, na mais emocionante recepção da noite.

De resto, e dentro das categorias que mais me interessavam, não se registaram grandes surpresas nas entregas ontem a noite. O The Dark Knight, para além do prémio do Heath Ledger levou para casa o prémio de melhores efeitos sonoros. Wall-E não desiludiu e levou para casa o prémio para melhor animação. Em termos de música, os dois prémios foram para o Slumdog tal como melhor adaptação. O prémio para escrita original ficou para o autor de Milk, também esse com um discurso bastante emotivo. De uma forma geral, creio que quem mais mereceu levou para casa o seu merecido prémio.
Em suma, uma boa noite, uma noite divertida, uma noite em que os Oscars não foram uma cerimónia secante mas antes uma cerimónia mais divertida que premiaram os melhores do ano na indústria cinematográfica. Para o ano há mais!
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