Diariamente quando me desloco para a Universidade deparo-me com uma “cena” que me traz uma má memória à cabeça – o emprego mais chato do mundo.
Presentemente decorre a construção da nova linha ferroviária ao porto de Aveiro; são vários os quilómetros de linha que estão a ser construídos e vários os trabalhos que têm que ser feitos.
E de todos estes trabalhos e de todos os trabalhadores, há um desgraçado que apanha com o emprego mais chato do mundo.

Sweeping Dust - source: Flickr
Falo-vos do que veem na imagem – o desgraçado que passa o dia a varrer o chão.
É de facto o emprego mais chato. Mas antes de me acusarem de esquecer empregos tipo limpar esgotos e assim, quando me refiro a chato, refiro-me sobretudo ao indíce de monotonia, de repetitividade e até de solodião.
Trabalhar numa fábrica ou sobretudo na construção e obter o título de varredor oficial da empresa é um chatice. Acreditem. O tempo não anda. Quando se pensa que passou uma hora de facto só passou 5 minutos. É tal e qual, garanto-vos.
E como é que vos posso garantir isso, perguntem vós. Porque também eu já fui o varredor de serviço.
Há muitos, muitos anos, num pequeno trabalho de verão, trabalhei juntamente com o meu “velhote” na construção. Como só tinha 15 anos, não tinha propriamente experiência suficiente para andar a conduzir carrinhas cheias de betão nem o talento necessário para assentar tijolos. Portanto, ficava a varrer as estradas durante o dia. E quando não tinha nada para varrer ia para o segundo emprego mais chato do mundo – segurar um sinal stop/go e controlar o trânsito.

Go! - image from Flickr
O dia começava às 7 da manhã e acabava às 6 da tarde. Os momentos altos do dia, como seria de esperar, eram os 15 minutos de intervalo às 10 para tomar um pequeno lanche e o almoço; ah, e o final do dia, claro. Nas restantes 10 horas de trabalho lá varria o chão ou controlava o trânsito; na entremeada lá me ia entretendo ao cantar músicas, a contar o número de carros da mesma marca – ou até da mesma cor quando havia escolhido um carro mais raro – e coisas assim desse género. Eram tempos difíceis, eram tempos muito, muito chatos.
Portanto, simpatizo muito com os tipos que passam o dia de vassoura na mão. A minima ventania e dispersão de pó ou lixo é sinal de trabalho, é sinal de uma surpresa, é sinal de mudança. É assim todos os dias: varrer, varrer, varrer. A consolação, se é que ela existe, vem no final do mês.
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