A Silly Season 2008/2009 já chegou.
O Messias, o Salvador, o Todo-Poderoso chegou à Catedral onde a missa se rezerá melhor do que nunca; uma ascenção meteórica pelos vistos causou problemas dentários que acabaram numa volta-face inesperada; a Galáxia pelos lados de Madrid constrói-se à custa de muito dinheiro… são estes alguns dos momentos mais altos até agora da Silly Season.
Vamos por partes.
O Benfica lá conseguiu rescindir com o Quique Flores; treinador que no início da época passada veio para liderar mais um plantel cheio de estrelas, mais um plantel pronto para lutar contra todos e para fazer coisas maravilhosas. Ora, se eu não discuto a qualidade que existia na maior parte do plantel, já Quique Flores demonstrou que pouca ou nenhuma qualidade tinha. Portanto, com o Benfica a praticar um futebol fraco, com a constante perca de pontos e com os lenços brancos veio a… manutenção do treinador. Sim, a manutenção. É que há umas semanas, depois do Braga-Benfica em que começou a verdadeira chuva de “garantias” de que o Jorge Jesus assumiria o controlo técnico do Benfica, o Benfica (dado que é uma equipa cotada em bolsa, SAD) teve que anunciar à CMVM o que se passava. E o Benfica anunciou que não iria rescindir com o Quique Flores. Estranho, huh? Razões há muitas, imagino eu. Dinheiro, cegueira dos dirigentes do Benfica, a imagem do Rui Costa… No entanto, parece-me claro que a indemnização foi um dos grandes factores na demora da saída do Quique. A fraca época do Benfica certamente que não encheu de água as bocas dos clubes que procuram treinadores e portanto, seria dificil alguém aproximar-se do Benfica para levar o Quique. Portanto, o Quique queria ser despedido para levar muito; o Benfica esperava que ele se demitisse ou que alguém o contratasse para pagar pouco. É assim que eu vejo… claro está, por fora. Mas o quer que seja que se tenha passado, não fez sentido nenhum o Benfica ter feito aquele comunicado à CMVM para duas/três semanas depois o ter mandado embora. E com isso, entrou Jesus. O treinador associado ao Benfica desde a penúltima jornada do campeonato. Vamos ser honestos. O Jorge Jesus não é mau treinador. Não sei se será um excelente treinador. Vá, é um bom treinador que fez boas coisas nas equipas por onde passou; sobretudo e mais recentemente no Belenenses e no Braga. É o mestre da táctica, diz ele. Será? Não sei. Mas uma coisa eu sei… e apenas porque o que Jesus diz é verdade. Para o ano vamos ver o Benfica a jogar o dobro do que jogou esta época. Ora, se me permitem, tendo em conta que em muitos jogos da época passada o Benfica jogou nada… o dobro de nada continua nada e portanto… pelos vistos não haverá assim tanta razão para ficar com medo.

Mas vá, para terminar; o Jesus deixou de mãos abanar o Salvador para ingressar na Catedral. É o messias que muitos desejam, o D. Sebastião – no reino do Benfica – do século XXI. Eu nem quero imaginar o que será do Luís Filipe Vieira e companhia se o Benfica fracassar este ano. Mas como não vai, como o próprio presidente diz, não há razões para preocupação.
Há uma época, precisamente nesta altura do ano, um jovem jogador francês, chorava (digo eu) a descida do seu clube à 3ª divisão francesa. Falo do Aly Cissokho, rapaz de 21 anos que jogava em 2008-2009 no Gueugnon. Rapidamente a sua tristeza transformou-se em alegria quando o Setúbal, do primeiro escalão português, o foi resgatar. Rapidamente se impôs na lateral esquerda da defesa sadina de tal forma que despertou a cobiça dos grandes. Dizem que tanto o Benfica como o Porto estavam de olho nele. No entanto, foi para o Porto que o Cissokho foi parar no inverno deste ano; a meio da temporada e para tentar colmatar o maior problema do então Tri-Campeão. O Benítez havia se afirmado como novo flop para o lado esquerdo da defesa, o Fucile encontrou as lesões, o Lino era demasiado irregular e o Pedro Emanuel já não tinha o que era preciso para jogar a defesa esquerdo. Assim, na primeira oportunidade que teve, arrepiou caminho. Nos primeiros jogos ainda acusou a pressão. No entanto, e aos poucos, foi assimilando a realidade do Porto e impôs o seu futebol e as suas qualidades. Cissokho agarrou tão bem o lugar que nunca mais de lá saiu e até chegou a eclipsar o melhor jogador do mundo, o Cristiano Ronaldo, naquele inesquecível jogo em Old Trafford. Com a sua ascenção meteórica começaram as notícias de interessados. Quem era este jovem francês que ninguém, há um ano, conhecia? Ai o Lyon está interessado, ai o Bayern também. Veio o final da época, os rumores intensificaram-se e pumba, Vendido… ao AC Milão. 15 milhões de euros por 90% do passe. Ou seja, 13.5 milhões para o Porto. Assim, em 5 meses o Porto conseguiu vender um dos seus mais “aptecidos” activos por 45x o preço que pagou em Janeiro, 300.000 euros. O Cissokho ficou eufórico, claro. Mas que evolução. Dias depois: dentes travam transferência de Cissokho. Portanto, pelos vistos uma infecção dentária ou qualquer coisa assim foi motivo para o Milan colocar em causa a transferência. Não queriam correr um risco com um jogador. Sim, sim. É isso mesmo. Toda a gente sabe, até eu, que o Cissokho, por muito que tenha jogado, não vale neste momento 15 milhões de Euros. No entanto, especulava-se muito e o Milão, que de facto estava interessado, apressou-se e apresentou uma proposta irrecusável. Quanto muito, o rapaz vale entre metade desse valor e dez. Se calhar com alguma contestação interna ou algo do género, o clube encontrou nos “dentes” uma forma de tentar rever a proposta, algo que não agradou ao Porto. E portanto, o Cissokho fica… A questão agora é: quanto tempo? Mais uns dias? Vai para outro clube? Fica no Porto? A outra questão essencial é: de que forma é que esta transferência falhada vai afectá-lo psicologicamente? Respostas em tempo oportuno.
Do Real Madrid e do Ronaldo já falei o outro dia. Novidades? Só em torno do ordenado que, dizem algumas fontes, pode chegar aos 13 milhões de Euros. Upa upa. A construção da galáxia Madrilista não pára. A cada dia há mais um nome em cima da mesa: Villa, Ibrahimovic…. daqui a nada vai mas é o Cissokho
Grandes nomes não fazem grandes equipas portanto, vamos lá ver se a galáxia vai implodir de forma desastrosa ou explodir com futebol de categoria.
Ia falar das eleições do Benfica mas como não percebo muito disso, não vou entrar em profundidade. Causa-me, no entanto, alguma confusão, ao tentar perceber quais as verdadeiras razões pela demissão do Luís Filipe Vieira e os restantes órgãos sociais do clube. Diz que não tem nada a haver com o afastamento da concorrência. Ora, tendo em conta que o possível, “mais credível e forte” candidato e movimento à Presidência desistiu anteontem e ontem , não consigo arranjar outra explicação. Se queriam antecipar, antecipavam para Agosto. As decisões principais em termos de jogadores e de equipa técnica já estão tomados. Qual a diferença entre ser daqui a duas semanas ou daqui a 6? Bahh, para mim tanto faz. É o Jesus que vai salvar o Benfica, não é o Presidente.
Que mais, que mais?
Ah, vamos aos mais recentes jogadores do Porto.
Álvaro Pereira há umas semanas já vestia a camisola do Benfica. Mas veio para o Porto. Um pouco, se calhar, a antecipar a provável venda do Cissokho. Ora, não o conheço, não sei se é bom ou não. Espero que seja bom jogador. Da última vez que o Benfica foi atrás de um “desconhecido” defesa esquerdo, apareceu o Léo, um bom jogador. Finalmente, Beto. O Beto do Leixões. O herói da selecção no último jogo amigável frente a Estónia. Supostamente o Beto estava associado ao Porto desde o último Leixões – Porto em que o Porto ganho 4-0 ou algo assim. Supostamente o Beto fez uma exibição paupérrima. Eu vi o jogo. Sim, foi mal batido num ou noutro golo. É razão para tanto alarido? Para alguns, normalmente os de vermelho, sim. “Ai e tal o Beto jogou mal porque era com o Porto”, “Porto a comprar jogadores…”; bla bla bla. Se é verdade, é lamentável. Não devia ser autorizado essas “manobras”. No entanto, não há gente capaz de as impedir. No entanto, também não nos podemos esquecer que depois de jogar contra o Porto, o Leixões levou outros 4 do Paços de Ferreira. Hummm, talvez outro clube com o qual tinha assinado contrato? Hmm, talvez. A especulação é bonita e mantém a guerra entre os adeptos do Porto e do Benfica aberta. Mas como este também há casos com o Benfica e portanto não se pode queixar de uns sem olhar para dentro primeiro.
Mais da Silly Season em tempo oportuno
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